Embaixada
Serviços Consulares
Cabo Verde
Estudantes
Links
Seção Cultural
Investimento em Cabo Verde
Seção Social e Educativa
 

Cultura : “No Inferno” de Arménio Vieira é peça de teatro
em 29/03/2009 (575 leituras)


O Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo estreia hoje, dia 29/03, a sua mais ambiciosa, complexa e difícil peça de teatro – “No Inferno” –, uma adaptação do livro homónimo de Arménio Vieira, dado à estampa em 1999. O formato teatral da obra surge agora, confessa João Branco, autor da proeza, porque “só agora nos sentimos preparados para concretizar tamanho atrevimento”.

“A exigência desta criação é enorme a todos os títulos”, admite João Branco. Para começo de conversa, elucida, “estamos a falar de uma figura maior da nossa literatura, um dos maiores poetas deste país que, possivelmente, já mereceria um outro tipo de visibilidade, condizente com o seu talento”. Não bastasse isso, continua o director do GTCCPM, “o romance No Inferno, sendo uma obra fragmentária, é difícil e exige do leitor alguma cultura geral, principalmente no domínio da literatura”. Não restou, por isso, outra alternativa senão “mergulhar” fundo no romance de Arménio Vieira e inspirar elementos que pudessem ajudar a criar no palco uma situação “legível”.
Mas, para o GTCCPM “é ponto de honra que no palco se possa reconhecer algo do código genético de Arménio Vieira enquanto poeta e escritor, pegar o texto original, que é fragmentário, composto por múltiplas situações, sonhos, pesadelos, personagens de obras-primas da literatura universal que se confundem e misturam, e transformar tudo isto numa peça de teatro com um fio condutor que possa ter alguma coerência, foi extremamente complicado”, reconhece João Branco.
Curiosamente, a ajuda veio do próprio texto, afirma o encenador. “No Inferno é, ao mesmo tempo, extremamente teatral porque muitas das suas páginas estão ocupadas com diálogos muito bem elaborados, demonstrando o pleno domínio pelo escritor da técnica dramatúrgica, onde as falas dos personagens são quase sempre lacónicas, corrosivas, inquietantes, ou seja, teatrais”. Em outras palavras, “a matéria-prima original é tão boa que estas dificuldades foram mais um incentivo para quem fez a adaptação do que um empecilho que a pudesse dificultar ainda mais”.
Diante desta benesse e com a devida permissão do autor, que “reagiu com naturalidade à nossa proposta e apenas mostrou interesse em ler a adaptação”, conta João Branco, os actores do GTCCPM trataram de dar corpo, energia, suor e vida às personagens. Um elenco constituído por “actores disponíveis, corajosos, inteligentes, talentosos e experientes” fizeram com que “a angústia da criação se transformasse no prazer redobrado da partilha colectiva. E no respeito e admiração mútuas, floresceu uma energia que foram motor e alimento desta montagem cénica”, afirma Branco.
Capital é também a componente plástica do espectáculo. No Inferno, diz João Branco, “tem um cenário ambicioso, extremamente visual e que vive da simbologia dos seus elementos (as grandes asas de um anjo, bolas que invadem a cena e são alteradas de posição como joguetes do destino do protagonista, a representação dos cacifos, livros gigantes, entre outros elementos cenográficos. Os figurinos concebidos propositadamente por Elisabete Gonçalves acompanham o ambiente visual da peça, junto a objectos cenográficos de Carla Correia”. Tudo isto se ilumina debaixo do desenho de luz de Edson Gomes e ganha mais vida ao ritmo da música original de Caplan Neves.
Como reagirá o autor à peça? “Estamos ansiosos para que Arménio Vieira veja o trabalho até porque com esta peça pretendemos também homenagear o autor do romance que o inspirou”, admite João Branco. “Que possa ser digna da obra e do génio criativo de Arménio Vieira”, espera. No Inferno sobe ao palco do auditório do Centro Cultural Português do Mindelo este sábado, às 21h30, e domingo, 29, às 20h30. A 43ª produção do GTCCPM encerra o ciclo de quatro estreias absolutas que aconteceu dentro do programa Março Mês do Teatro.

O enredo
Um poeta acorda aprisionado numa casa enorme e labiríntica. Tenta situar-se, mas não sabe como nem por que lá foi parar, tão pouco sabe a sua própria identidade. A casa tem ao centro um corredor e sete portas de cada lado, que abrem para salas vazias, ou com livros, ou com cacifos trancados por mil códigos. Da única janela vê-se o parque circundante, uma estrada ao longe onde não passa ninguém e depois é só o horizonte. Para sair dali tem de desvendar os mil códigos ou, talvez mais simples, começar a escrever uma obra-prima. Para isso tem que começar a ler, a ler muito (já que esqueceu tudo), até porque “só escreve quem lê”. Como o próprio Arménio escreve na sua nota prévia, “imaginei uma personagem enclausurada, anónima e sem memória. (...) Compelido a libertar-se pela escrita, ele tentou-o, mas com sofrível sucesso em razão de uma sobrecarga mental de informações livrescas. A falta de uma real vocação de escritor, - o poeta nasce, costuma dizer-se. Será, talvez, a explicação mais justa”. Tudo o resto, o que se ouve e vê, fica para que cada um crie a sua própria história.



Outros artigos
31/08/2010 - Discurso do ministro da Cultura, Juca Ferreira, na solenidade de entrega do diploma de Patrimônio Cultural da Humanidade à Cidade da Ribeira Grande de Santiago, Cidade Velha, em Cabo Verde
31/08/2010 - PROGRAMA DE COOPERAÇÃO ENTRE O MINISTÉRIO DA CULTURA DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E O MINISTÉRIO DO ENSINO SUPERIOR, CIÊNCIA E CULTURA DA REPÚBLICA DE CABO VERDE PARA O DESENVOLVIMENTO DE AÇÕES CONJUNTAS NO ÂMBITO DA CULTURA
31/08/2010 - Revista Volta ao Mundo destaca Cabo Verde
30/08/2010 - Cabo Verde é homenageado na Feira Pan-Amazônica
25/08/2010 - Corinthians de São Vicente no site da Globo


Pesquisa
Celebração Nacional
A 5 de Julho de 1975, Cabo Verde ascendia à independência nacional, depois de um duro e longo combate de libertação, que os limites geográficos impuseram acontecer fora do seu território. Sabe-se que o caminho do futuro é, necessariamente, interminável. Às gerações que terão o dever e a obrigação de garantir o porvir da Nação não faltará trabalho. O esforço deve ser contínuo e permanente, tantos são os desafios que terão de enfrentar, num país carente de tudo, onde a falta de recursos é crónica. Porém, ao olharmos para trás, e podemos fazê-lo orgulhosamente, considerando o ponto de partida, a largada, só podemos acreditar que seremos capazes de enfrentar e vencer todas as dificuldades, não fosse o cabo-verdiano um povo vencedor, porque temperado a ultrapassar todas as agruras que a História lhe impôs. E não foram poucas, considerando a longa duração e a realidade! Muitos se insurgem contra o passado desconhecendo que esse mesmo passado nos cerca a cada passo. Ele se torna presente no quotidiano, sem que disso se dê conta. A verdade é que só se pode avaliar, crítica e convenientemente, o percurso andado, quem for capaz de olhar para trás. O que Cabo Verde é hoje não é obra de feliz acaso. É fruto de muito trabalho, dedicação, esforço e perseverança de quem acreditou ser possível a utopia/aventura da independência em 1975, porque partimos do zero e não tínhamos outro recurso que não fosse o indómito povo das nossas ilhas, sofredor mas esperançoso de que futuro seria diferente. E está sendo, tanto porque o seu povo sente e vê que a independência valeu a pena! Talvez, aos olhos dos mais novos, metade da população actual tem menos de 20 de idade, se fale dos muitos problemas que ainda persistem em muitas áreas No entanto, não foram poucos os avanços conseguidos nos últimos 35 anos da nossa existência como Nação independente. Há apenas 60 anos, 1/3 da população do arquipélago morria à fome. Há menos de 40 anos, dois terços da nossa população era analfabeta; as escolas eram para uma pequena elite; tínhamos à volta de 6 médicos; a esperança média de vida era de 45 anos; a previdência social era inexistente e o PIB per capita era US 150 dólares. São conquistas da independência, que não mais se morresse à fome; que o analfabetismo seja hoje residual no país; que a escolarização bruta seja a uma taxa de 115%; que a esperança de vida tenha alcançado os 75 anos e a mortalidade infantil tenha diminuído drasticamente; a previdência social abranje, hoje, mais de 30% da população e existam perto de 600 médicos, enquanto multiplicamos o PIB per capita por mais de 15, passando, por isso mesmo, de país menos avançado para um de rendimento médio. Por isso se diz, hoje, com orgulho, que Cabo Verde é uma Nação vencedora, sem triunfalismo, cientes de que muito caminho temos ainda pela frente, e certos de que, em democracia, sistema político abraçado pelos cabo-verdianos, quanto mais se avança, com a formação, educação, qualificação, quanto mais se afasta da ignorância e da miséria, serão cada vez maiores as exigências dos cidadãos, que devem ter bem presente, no entanto, os limites da capacidade real do país para responder às legítimas aspirações do seu povo. Cabo Verde mantém-se farol na luta pela dignidade de todos os cabo-verdianos, dentro e fora do território nacional, no abraço a povos amigos de vários quadrantes, que se mantêm suporte em ajudas e apoios para o seu desenvolvimento. A garantia é que, como sempre, saberemos merecer a confiança dos nossos parceiros, dando o devido caminho ao que deles recebemos, apenas em benefício do bem-estar da população. Sendo o seu povo a riqueza desta Nação, lutemos, pois, para que cada cidadão possa alcançar o seu máximo de potencialidade no espírito do Bem Nacional.

O Embaixador

Galeria de Imagens
Visite Cabo Verde

Cabo Verde em Vídeos/Imagens
Acesso Privado
Usuário:

Senha:


Esqueceu a senha?
Intranet
Guia Turístico de Cabo Verde
Venha conhecer Cabo Verde!!!! Dê a você e para quem ama a oportunidade de eternizar bons momentos em Cabo Verde. Saindo de Fortaleza em 3h30 você estará em Cabo Verde. As praias, as encostas, a gastronomia, a alegria, a dança, as cores e, sobretudo a morabeza de Cabo Verde, serão lembranças das quais você nunca mais se esquecerá. Aguardamos você! clique aqui.
Quem está online?
7 visitantes online (3 na seção: Notícias)

Usuários: 0
Visitantes: 7

mais...
ATENÇÃO!
cplp  A linguagem utilizada neste site é o português praticado por todos os países da CPLP. Por essa razão, você leitor, encontrará textos escritos com o português de Cabo Verde, do Brasil e dos demais países integrantes da CPLP.
Cláusula de não Responsabilidade
A Embaixada de Cabo Verde no Brasil busca divulgar notícias exatas e de forma tempestiva. Há que se ressalvar, entretanto, que as notícias que este site abriga são colhidas na net, servindo para indicar o que está ocorrendo. As notícias podem estar incompletas ou com algum tipo de inexatidão, devendo o internauta, caso se interesse por algum assunto, aprofundar-se em suas pesquisas. Neste diapasão, a Embaixada de Cabo Verde no Brasil, se isenta de qualquer responsabilidade sobre as notícias aqui veiculadas. Ratificamos que a completude das informações deverá ser objeto de pesquisas complementares. Acerca dos links que fornecemos, também não temos responsabilidade sobre a eficiência ou pelo conteúdo dos sites exteriores cujos links possam remeter.
 Copyright © Badiu.Net 2002