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Cultura : Novo embaixador de Cabo Verde no Brasil
em 15/03/2007 (2474 leituras)

No ano em que Cabo Verde comemora o 32º aniversário de sua independência, o historiador Daniel António Pereira chega ao Brasil com a missão de fortalecer os laços.Transformar o Brasil numa das âncoras do desenvolvimento de Cabo Verde é a missão do embaixador cabo-verdiano, Daniel António Pereira, aqui no Brasil. Chegado há quase três meses a Brasília, o diplomata cabo-verdiano, de 55 anos, cumpre o seu primeiro posto de embaixador, depois de servir na Holanda, Angola e Portugal como conselheiro, e se diz confiante de que, com o seu trabalho e com o do governo brasileiro, alcançará seu objetivo.


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Nessa entrevista ao Na Prática a propósito do 32º aniversário da independência de Cabo Verde, comemorado em julho deste ano, Daniel Pereira considera positivo o balanço acerca do desenvolvimento do seu país, três décadas depois de se emancipar de Portugal. Fala também do estado atual do relacionamento entre o Brasil e Cabo Verde e do estágio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Historiador e pesquisador, o diplomata cabo-verdiano, que tem cinco livros publicados sobre a História de Cabo Verde, reclama um maior envolvimento dos Estados membros da CPLP nas ações do Instituto Internacional da Língua Portuguesa com sede no seu país.



Na Prática - Cabo Verde completa em julho 32 anos da sua independência sobre Portugal. Que breve balanço o senhor faz em termos de desenvolvimento do país?



Daniel Pereira - Relativamente ao 32º aniversário da independência de Cabo Verde, nós devemos dizer que o balanço é muito positivo. E, dizemo-lo, não por uma questão de retórica, mas por fatos concretos. Basta dizer que Cabo Verde, à data da independência, era considerado um Estado inviável, porque nos primeiros seis meses de vida tinha qualquer coisa como US$ 200 per capita e durante esses 32 anos de vida independente multiplicamos por dez o produto interno bruto de Cabo Verde. Neste momento, a renda per capita é qualquer coisa como US$ 2.000. Em 1975, grande parte ou a maioria da população caboverdiana era analfabeta; na ordem de 70% dessa população não sabia ler nem escrever. Neste momento, essa população analfabeta é menor que 10%. Um outro dado interessante da nossa evolução ao longo desse período é a questão da educação. Em Cabo Verde, 100% das crianças em idade escolar freqüentam a escola, ultrapassando largamente os objetivos do milênio, que pretendia, portanto, que essa realidade fosse atingida em 2015. Temos estabilidade política e estabilidade social. A democracia hoje é algo aceite com toda a normalidade. A alternância política funciona e, por diversas vezes, já fizemos eleições desde a abertura política, em 1991. Nós somos hoje considerados um Estado credível e útil a nível internacional. Isso tudo deve suscitar, naturalmente, orgulho à nação e ao povo cabo-verdiano.



NP - Que missão específica o senhor tem para a diplomacia no Brasil?



D.P. - A missão específica que tenho para com o meu desempenho no Brasil é elevar o patamar das relações existentes entre Cabo Verde e o Brasil. Essas relações é verdade que são interessantes, são importantes. Sobretudo, numa área que é crucial para o desenvolvimento de Cabo Verde, que é a formação dos seus quadros. Mas nós queremos mais; nós pretendemos que o Brasil se guinde a um parceiro estratégico de Cabo Verde; que o Brasil se transforme decididamente numa das âncoras do desenvolvimento de Cabo Verde. Este é o objetivo maior da minha missão aqui no Brasil. E eu estou convencido que, com o meu trabalho, com o trabalho do governo brasileiro, de certeza que chegaremos a esse objetivo pretendido. Penso que o Brasil é uma grande nação; é um grande país; é um país com uma dimensão continental. Não podemos ter a pretensão de abranger ou abraçar o Brasil todo. Mas, dentro da nossa estratégia de aproximação, de aprofundamento e da intensificação das relações entre o Brasil e Cabo Verde, pretendemos que os estados do nordeste sejam de fato a alavanca dessa mesma participação, dessa mesma identificação. Isso está dentro da nossa estratégia.



NP - Qual é o estado das relações entre o Brasil e Cabo Verde?



D.P. - São excelentes, muito boas e antigas. O Brasil, desde que Cabo Verde assumiu a independência, rapidamente reconheceu a nossa independência e estabeleceu uma missão diplomática em Cabo Verde. A nossa missão aqui, a Embaixada aqui, é muito mais recente, tem apenas dez anos. Mas, de fato, as nossas relações são boas, porque também as empatias existentes entre o Brasil e Cabo Verde são enormes. E são enormes na medida em que o nosso relacionamento histórico foi sempre muito intenso e muito denso ao longo do tempo. Eu não estou a falar da História recente estou a falar do passado. Praticamente, eu posso lhe dizer que, de alguma forma, o modelo de administração e ocupação utilizado no Brasil foi antecipado em Cabo Verde, há cerca de 40 anos. As capitanias, a utilização da mão-de-obra escrava etc. de alguma forma foi experimentada em Cabo Verde antes de ser transplantada para o Brasil. E as relações entre Cabo Verde e o Brasil, sobretudo com o nordeste brasileiro, e eu refiro-me, essencialmente, à Bahia, ao Pernambuco, a Paraíba e ao Maranhão, foi sempre um relacionamento muito forte, de fluxos seja de mercadorias seja de pessoas e de outros bens. De modo que, se às vezes a gente se sente tão parecidos, é de alguma forma em razão dessa História que nos foi cimentando, esse sentimento de proximidade muito forte que existe entre Cabo Verde e o Brasil, em particular, com o nordeste brasileiro.



NP - E como estão as atividades da CPLP?



D.P. - A CPLP, que é a nossa organização dos países que falam a língua portuguesa, já avançou. Já deu passos interessantes. Mas eu imagino que teremos mais caminho para palmilhar e para prosseguir. Penso que a CPLP pretende ser um interlocutor internacional. Portanto, a CPLP pode ser um instrumento da política externa dos nossos países. Mas é evidente também que a CPLP será aquilo que os próprios estados quiserem que ela seja. Isso significa que terá que haver maior investimento político e financeiro na organização para que de fato possa estar à altura das ambições dessa mesma organização perante um conjunto de Estados importantes do mundo que devem ter voz ativa no concerto das nações.



NP - Como é que interpreta o fato de Cabo Verde ter sido escolhido para albergar a sede do Instituto de Língua Portuguesa?



D.P. - Cabo Verde é um Estado pequeno. É um Estado que não tem ambições desmedidas no contexto internacional. Mas é um Estado sério; é um Estado credível e penso que o fato de Cabo Verde ter sido escolhido para sede do Instituto Internacional da Língua Portuguesa é no fundo o reconhecimento de um papel interessante que Cabo Verde desempenhou ao longo desses últimos trinta e poucos anos de independência. Portanto, é este reconhecimento que permitiu que de fato Cabo Verde pudesse albergar esta instituição. De todo modo, é uma instituição que precisa de muito mais envolvimento dos nossos Estados. É uma instituição que precisa de maior financiamento; é uma instituição que precisa que os seus quadros ou as pessoas que nela trabalham possam de fato dar resultados palpáveis em relação aos objetivos que estão na sua gestão. Desde que o Instituto Internacional de Língua Portuguesa foi criado, em Maranhão, em 1989, avançamos, é verdade. Mas julgo que devemos ainda avançar mais para que os objetivos possam ser atingidos rapidamente.



NP - Que espera da sua estadia aqui no Brasil?



D.P. - Eu acho que a estadia vai ser boa. O povo brasileiro é um povo particularmente simpático. Portanto, o relacionamento é fácil e é afável. Os três meses em que me encontro aqui eu pude verificar isso mesmo. Isto augura, naturalmente, uma estadia boa sem dúvida absolutamente nenhuma. Os interlocutores brasileiros também estão interessados em aprofundar as relações com Cabo Verde e, nesta circunstância, eu imagino que, no fim da minha missão, as relações entre Cabo Verde e o Brasil terão dado um salto qualitativo importante que é um dos objetivos da minha estada aqui.



publicado em 15/03/2007


reportagem: Josué Salusuva Isaías  


 




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