
O secretário de Estado da Educação, Octávio Tavares, defendeu ontem, na Cidade da Praia, que Cabo Verde é um dos países que assumiram a realização dos objectivos da Educação para Todos e os de Desenvolvimento do Milénio e que os está a cumprir antes da meta estabelecida, ou seja, 2015.
"Faltava a Cabo Verde uma investida forte na criação de condições para que todas as crianças e jovens portadoras de deficiências pudessem ter acesso, em condições de igualdade, à educação do pré-escolar ao secundário e superior, passando pela formação profissional e emprego, disse Octávio Tavares anotando que o Governo está empenhado em alcançar esse objectivo.
Octávio Tavares que discursava na cerimónia de abertura do curso em Educação Especial, referia-se não só a inauguração de um Centro de Recursos de Apoio às Necessidades Especiais de Educação, numa das salas da escola Pedro Gomes, mas também, ao trabalho que o país vem desenvolvendo para maior promoção de equidade no acesso à educação e à qualidade do ensino.
"Com estas acções estamos a avançar para um patamar superior de qualificação do nosso sistema educativo. É um ganho extraordinário que o país está a conseguir e que todos devemos valorizar. O Governo já anunciou o lançamento para Março de 2009, de um programa ambicioso da massificação das novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC)", disse.
De acordo com Octávio Tavares, esse é o percurso que se quer realizar no sector, de forma a se ter uma educação com mais qualidade, mais inclusiva e promotora das competências e habilidades necessárias à resolução dos problemas do dia-a-dia.
Segundo, a directora geral do Ensino Secundário, Cláudia Silva, Cabo Verde tem vindo a envidar esforços no sentido de garantir a implementação da educação inclusiva com base nas orientações específicas da UNESCO.
"Tem sido uma tarefa árdua, iniciada com base nos dados do Censo de 2000, altura em que passamos a conhecer melhor a situação das pessoas portadoras de deficiência. O Censo refere que das pessoas portadoras de deficiência, 46 por cento, com mais de 15 anos, não tinham nenhum nível de instrução", sublinhou Cláudia Silva, admitindo que no presente momento, há cada vez mais jovens e crianças com problemas de deficiência, inseridos no sistema educativo.
Neste âmbito, salientou, os Centros de Recursos de Mindelo e da Praia, servirão de barómetro para o atendimento da educação educacional das Necessidades Educativas Especiais no país e terão a responsabilidades de criar outros centros em outras ilhas.
Para isso, Cláudia Silva acredita que recursos humanos e financeiros devem ser criados para que a educação especial consiga alguma flexibilidade no currículo, sistema de avaliação, bem como de gestão e organização.
Por sua vez, o secretário de Estado de Portugal, Walter Lemos, que além de inaugurar a Sala de Recursos ofertou alguns materiais educativos, defendeu que uma escola só é verdadeiramente democrática quando consegue fazer a educação de todos.
"Um país que inspira ser democrático tem como objectivo criar uma escola onde todos tem lugar. Este é, no meu ponto de vista, o maior combate do sistema educativo e a inspiração de todos os países modernos", indicou.
O curso ora iniciado e que está a ser ministrada pelas formadoras da Direcção Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular do Ministério da Educação de Portugal, destinado a 52 coordenadores e professores de educação especial de todo o arquipélago, terá uma duração de três dias.
O objectivo é formar docentes para trabalharem com alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE) e, por isso, durante a formação serão debatidos temas como a "Flexibilidade Curricular"; "Desenvolvimento de Escolas Inclusivas"; "Estratégias promotoras de Comunicação" e "Elaboração de Programas Educativas Individuais".