
O sector da Educação em Cabo Verde conheceu,em 2008, avanços significativos em termos de recursos técnicos, infra-estruturas e formação, inculcando, deste modo, maior qualidade de ensino no país, mas, o pico desses avanços foi, sem margem de dúvidas, a abertura de salas de aulas de experiência piloto destinada às crianças com problemas de deficiência a vários níveis.
Todavia, há outras inovações a referir. Com efeito, o ano lectivo 2008/2009, que arrancou com cerca de 155 mil estudantes, assistidos por mais de seis mil professores, do pré-escolar ao secundário, conquistou nova dinâmica com a iniciativa do Ministério da Educação e Ensino Superior (MEES) em formar professores para qualificar o ensino, um desafio que visa mudar a estratégia educativa, no âmbito da mudança curricular.
Neste âmbito, o reforço do ensino a nível tecnológico, ciências e investigação, fez deslocar ao Brasil alguns docentes com o objectivo de desenvolverem a sua aptidão tanto na vertente ensino como no de investigação.
Tendo em conta o objectivo preconizado, o Ministério da Educação e Ensino Superior (MEES), iniciou o ano sob o signo das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTIC) e “Novas Respostas para Novos Desafios”, iniciativa que deu lugar à inauguração, em Setembro, de cinco estruturas Web’s, todas elas viradas para o mundo escolar cibernético, nos vários subsistemas e níveis.
Num ano em que muitas medidas foram tomadas para o bem do ensino no país, o secretário de Estado da Educação, anunciou, durante uma entrevista em exclusivo para a Inforporess, que todas as crianças que tenham completado os seis anos de idade, estando elas a frequentar ou não o jardim infantil, entravam de imediato para o sistema do Ensino Básico Integrado (EBI).
Esta medida, adoptada na sequência da universalização do EBI e do alargamento do período da escolaridade obrigatória, tem como objectivo dar a oportunidade para que “todos os cabo-verdianos tenham no mínimo oito anos de escolaridade”.
E para que todos possam usufruir da oportunidade de ter uma escola mais perto de casa, o Governo envidou esforços no sentido de construir, em cada um dos municípios do país, escolas do Ensino Secundário (ES). Deste modo, foram inauguradas novas escolas do ES em São Lourenço dos Órgãos, em Achada Falcão (São Salvador do Mundo), Achada Leite (Santa Catarina) e Chão Bom (Tarrafal) e outros ficaram por inaugurar, na ilha do Fogo, em Santo Antão e Boa Vista.
Destaque ainda para o lançamento da primeira pedra para a construção da Escola Secundária da Cidade da Ribeira Grande de Santiago (antiga Cidade Velha), cujo acto foi presidido conjuntamente pelo primeiro-ministro e o embaixador da China em Cabo Verde.
Refira-se, que a construção do primeiro liceu nesse concelho, surge 500 anos depois da descoberta das ilhas de Cabo Verde. Mas, o mais importante ainda, é o facto de se acreditar com firmeza, que esse estabelecimento de ensino irá ter um papel determinante na formação académica dos jovens.
Nessa mesma esteira, e tendo sempre a educação como sendo “a chave do desenvolvimento”, o primeiro-ministro, José Maria Neves, participou em várias actividades ligadas a esse sector, chamando a atenção para os efeitos da força de uma boa educação e a necessidade de se inovar para que o sistema educativo seja um “parceiro do progresso” que se almeja para o país.
De resto, essa aposta ficou bem patente com a inauguração do Centro de Formação Profissional da Praia (CFP), um espaço que, segundo a opinião generalizada, vai contribuir sobremaneira para o desenvolvimento do sistema da educação e formação profissional dos cabo-verdianos.
Além do sector profissional, as Universidades instaladas no país, trouxeram também um outro alento para o sistema educativo do país, abrindo novas oportunidades de formações, momentos, que foram selados com actos de assinatura de protocolos, de parcerias institucionais.
Nesse lapso de tempo, a Universidade de Cabo Verde (UNI-CV) apresentou no Mindelo, o projecto de capacitação de nível superior intitulado Cursos de Estudos Superiores Profissionalizantes (CESP), destinado a habilitar jovens com competências práticas e especializadas para imediata inserção no mercado de trabalho.
Ainda em S. Vicente, o Presidente da República, Pedro Pires, presidiu o acto da inauguração da Universidade Lusófona de Cabo Verde Baltasar Lopes da Silva.
Na Praia, a Universidade Jean Piaget de Cabo Verde (UniPiaget), anunciou um pacote de investimentos, totalizando mais de um milhão e 400 mil euros, (cerca de 154 mil contos), no quadro de alguns objectivos fundamentais consubstanciados no Plano Estratégico de Desenvolvimento Institucional, que este estabelecimento de ensino superior pretende concretizar nos próximos anos.
Afora isso, a ilha de Santiago abrigou mais duas Universidades, a Única e Universidade de Santiago, enquanto que em Santo Antão estão sendo criadas condições “a todo vapor”, para a instalação do ensino superior.
Outros destaques no sector, vão ainda para a criação da “Rede de Campanha de Educação para Todos” (RCET), um projecto da Federação Cabo-verdiana de Professores (FECAP). Nesse âmbito, a ministra Vera Duarte, conferiu posse às Comissões Concelhias para as Cantinas Escolares, e presidiu ao acto de lançamento da campanha de apadrinhamento do Instituto Cabo-verdiano de Acção Social Escolar (ICASE), durante a visita que efectuou à região Norte do País.
A propósito do ICASE, é de se aplaudir também a decisão de se retomar o processo da dinamização dos hortos escolares, aliada à gestão das Comissões Concelhias, como uma das estratégias para se garantir a sustentabilidade das cantinas escolares, face à retirada do Programa Alimentar Mundial (PAM) em 2010.
Entretanto, no âmbito da cooperação bilateral com a França, o Ministério da Educação recebe um donativo de três mil exemplares de manuais escolares em língua francesa, alguns CD Rom e DVD, que se destinam ao apoio e o reforço do ensino do francês no arquipélago.
De entre os vários projectos em carteira, a Direcção-Geral da Alfabetização e Educação de Adultos, anuncia a implementação do ensino recorrente a nível do 7º e 8º anos de escolaridade.
Por seu turno, a escola “Manuel Júlio”, que dá cobertura aos cidadãos com deficiência visual, iniciou o não lectivo com novas perspectivas curricular, tendo integrado, neste ano lectivo, novas disciplinas, nomeadamente, a orientação e mobilidade, artesanato e música bem como a língua francesa e inglesa.
Mas, a grande novidade do ano passa para o “mundo da cibernética”, com o anúncio, pela ministra da Educação e Ensino Superior, Vera Duarte, do programa “Cada aluno um Computador”. Com efeito, a governante assinou, em Setembro último, um protocolo de parceria com a Microsoft no sector da educação anunciou a intenção do Governo em lançar ainda, este ano, o programa o referido programa.
E como “promessa é dívida”, a culminar o ano, o primeiro-ministro, José Maria Neves, anunciou a intenção do Governo em mobilizar cerca de 150 mil computadores para estudantes, a partir dos seis anos de idade, e prometeu instalar 135 telecentros, a partir de Março de 2009.
Inforpress