Um equívoco do empresariado brasileiro é observar a África como um todo, desprezando a situação específica de cada país. Moçambique, por exemplo, é um país democrático, politicamente estabilizado e com leis de proteção à propriedade muito modernas
Itabira, 13 Agosto - As oportunidades no exterior estão cada vez mais em pauta na definição da estratégia de investimentos das empresas. Não obstante o mercado interno esteja bastante aquecido, oportunidades no exterior devem ser vem analisadas, tendo em vista, principalmente, a solidez e diversificação dos negócios da empresa. Nesse contexto, destaca-se o continente africano como uma grande aposta para os próximos anos.
Historicamente, os empresários brasileiros enxergavam a África como um pólo permanente de conflitos étnicos, com a população vivendo em comunidades tribais. Atualmente, essa não é mais a realidade de boa parte das nações do continente. O continente atualmente representa uma grande oportunidade de negócios, em virtude do crescimento acelerado e pouca concorrência interna, se comparados aos países m ais desenvolvidos. Os casos de empresas que optaram pelo mercado africano representam, em sua grande maioria, experiências de sucesso.
Em recente palestra na AMCHAM de São Paulo, o pesquisador do Centro de Estudos das Negociações Internacionais da USP, ao tratar do continente, constata: “As oportunidades são imensas na medida em que o mercado é muito atrativo, receptivo a todo tipo de empreitada. A perspectiva é de crescimento substancial para os próximos e há a possibilidade de uma participação cada vez maior dos brasileiros. O que se tem hoje são empresas de grande porte, poucas médias. Porém, as que se arriscam têm tido bons resultados”.
Outro equívoco do empresariado nacional é observar a África como um todo, desprezando a situação específica de cada país. Moçambique, por exemplo, é um país democrático, politicamente estabilizado e com leis de proteção à propriedade muito modernas. Esse contexto foi destacado pelo relatório internacional Doing Business 2008. A paz e a democracia vigoram no país desde 1992. Segundo um relatório do Banco Mundial, é o país da África que cresce de forma mais sustentada e diversificada, a uma média de 8% ao ano.
Moçambique tem um mercado consumidor de quase 21 milhões de pessoas. A capital, Maputo, possui quase 2 milhões de habitantes. O país possui uma localização privilegiada, faz fronteira com a África do Sul e possui quase todo o território litorâneo. Ao lado disso, é um dos principais países da África Austral e pode ser considerado a porta de entrada para a região
Dos segmentos promissores, ressaltam-se os de alimentos e bebidas, cosméticos, eletrodomésticos, máquinas e equipamentos de pequeno porte, materiais e serviços de construção civil, construção pesada, medicamentos, moda, redes de franquias, serviços de informática e telecomunicações, utensílios e ferramentas agrícolas e industriais e utilidades domésticas.
Observa-se, também, que o governo moçambicano está disposto a atrair investimentos estrangeiros nos mais diversos setores, oferecendo incentivos fiscais e concessões de terras, inclusive, para a produção de cana-de-açúcar ou plantio de eucalipto. Nesse sentido, muitas vezes, o pioneirismo e a chave para o sucesso.
Mário Tavernard, Diretor-Presidente da CCIABM – Câmara de Comércio, Indústria e Agropecuária Brasil-Moçambique,
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