A avaliar pelo volume de acções levadas a cabo no sector da saúde, pode concluir-se que os objectivos propostos para 2007 foram cumpridos. O sector foi dotado de regulamentos legislativos, os serviços receberam equipamentos modernos, as equipas reforçadas com especialistas, visando aumentar a dinâmica e a capacidade de atendimento, sem se esquecer o elevado índice de infra-estruturas realizadas um pouco por todo o lado no país.
Aliás, é nesse prisma que se pode entender a afirmação do ministro da Saúde, Basílio Ramos, ao considerar 2007 como um ano de muita “importância” para o sector. Refira-se, que esta afirmação do ministro coincidira com a aprovação da Política Nacional de Saúde (PNS) - cujo horizonte espreita o ano de 2020 –, e do Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário, que terá uma vigência para os próximos cinco anos.
Aliada a essas duas medidas estruturantes, publicava-se ainda a nova tabela de “custos de cuidados de saúde” que, a par da entrada em funcionamento de um conjunto de infra-estruturas, trouxeram, sem dúvida, um novo fôlego a este sector.
Investiu-se, igualmente, para que a Região Sanitária de Santiago Norte tivesse maior autonomia, com os preparativos para a entrada em funcionamento do Hospital Regional de Santiago, em Achada Falcão e, com iguais propósitos, ultimaram-se a entrada em funcionamento, em 2008, dos Centros de Saúde da Calheta de São Miguel e do Tarrafal (ilha de Santiago), dos Mosteiros (ilha do Fogo) e da Boa Vista.
Praia, enquanto centro urbano como maior número populacional, ganhou também novos Centros de Saúde nos bairros de Palmarejo, Achada Santo António, Achadinha, Achada Grande e Ponta d’Água, cuja inauguração está aprazada para início de 2008.
O Hospital Dr. Agostinho Neto, na qualidade de maior estabelecimento de saúde do país, logo, também com maior atendimento público, iniciou o ano em grande,
inaugurando um “Centro de Dia” para tratamento ambulante de pessoas portadoras de câncer, doença considerada como a segunda causa da morte no país e a primeira em termos de evacuações de doentes para o estrangeiro..
Entretanto, o anúncio da instalação, no próximo ano, de duas unidades de hemodiálise no país, uma na Praia e outra no Mindelo, não podia deixar de ser a melhor “prenda de Natal” para os cabo-verdianos, pois, a maioria dos pacientes evacuados para o exterior por padecerem de insuficiência renal, além do problema de saúde, vinham enfrentando também o problema da desagregação familiar, devido à sua estada prolongada ou definitiva, fora do país.
Contudo, há a assinalar ainda, em termos de aumento de capacidade e qualidade de atendimento, as experiências recolhidas no âmbito das acções de intercâmbios entre profissionais ou estabelecimentos estrangeiros, com o arquipélago, facto que tem sido cada vez mais frequente.
Assim, durante 2007, as estruturas hospitalares tanto em Santiago como em São Vicente e no Sal, puderam beneficiar de tais acções. Refira-se, a título de exemplo, a estada na Praia e em São Vicente, de uma equipa de médicos franceses da conhecida Associação Humanitária de Marselha, que participou num intercambio de troca de experiências com técnicos nacionais em diversas áreas médicas como a cirurgia maxio-facial, urologia e pediatria.
A ilha do Sal, também foi contemplada com a visita de uma equipa de médicos franceses, da Associação Échange du Cap Vert, que realizaram despistagens de problemas oftalmológicos, otorrinolaringologia e odontologia, às crianças na idade escolar e aos diabéticos da ilha.
Os intercâmbios fizeram-se ainda sentir em termos de jornadas médicas. A ilha de São Vicente foi palco das XIV Jornadas Médicas Interdisciplinares Luso-Cabo-Verdianas, um fórum organizado pelo serviço de medicina do Hospital Baptista de Sousa e pela Ordem dos Médicos de Cabo Verde.
Afora isso, profissionais da saúde do arquipélago participaram em diversos encontros no exterior, entre eles, o II Congresso da Comunidade Médica de Língua Portuguesa que decorreu na Bahia, Brasil, e as XXXIII Jornadas Médicas das Ilhas Atlânticas, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, nos Açores.
Mas, realizando ainda, paulatinamente, o vasto leque de acções que haviam sido agendadas para 2007, o sector viu concretizado recentemente a instalação das designadas Comissão Municipal de Saúde (CMS), nos diversos concelhos do país.
Trata-se de um “órgão consultivo” do ministro da Saúde em matéria de formulação e execução da Política Nacional, a nível municipal, que abrange um leque de estruturas descentralizadas e organismos governamentais sedeados em cada município, incluindo os serviços com responsabilidades directa na prossecução de políticas de saúde municipal.
Entretanto, enquanto decorre o Inquérito Nacional de Doenças Não Transmissíveis, o ministro anuncia já para Janeiro de 2008, o Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário (PNDS) 2008-2011.
No âmbito da luta contra a Sida, dados divulgados pelo Comité de Coordenação de Combate à Sida (CCS-Sida), revelavam que Cabo Verde é dos países de África com menor incidência da doença. Refira-se, que a taxa de prevalência do vírus é de 0,8 por cento, sendo que nas mulheres é de 0,4 por cento e nos homens de 1,1 por cento.
Sem dar tréguas a essa luta, o CCS-Sida assinou, durante o ano, uma série de convenções, com diversos serviços do Estado, com destaque para o Ministério da Educação e Ensino Superior, (MEES), visando a implementação da segunda fase do programa multisectorial de combate à Sida.
(Inforpress)