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Cultura : A obra poética de Corsino Fortes: identidade e presença no panorama literário internacional
em 26/09/2010 (2632 leituras)


“A cabeça calva de Deus”, antologia poética de Corsino Fortes, publicada em 2001, é actualmente objecto de estudo, traduções e publicações além das fronteiras de Cabo Verde.
“A cabeça calva de Deus” é o tema do pós-doutoramento da professora universitária brasileira Christina Ramalho que considera “A obra de Corsino Fortes é maravilhosa”

Para a docente da Universidade de S. Paulo, cuja pesquisa é supervisionada por Simone Caputo Gomes (especialista em literatura cabo-verdiana), a trilogia poética de Corsino Fortes é a grande epopeia da literatura cabo-verdiana, tal como são Os Lusíadas para Portugal e Odisseia para a Grécia.
Entrevista por: Teresa Sofia Fortes
- Como nasceu esta ideia de fazer um pós-doutoramento baseado na poesia de Corsino Fortes?

Christina Ramalho: Desde 1996, venho desenvolvendo uma pesquisa a nível de pós-graduação (mestrado, depois doutorado), na área de letras (teoria literária), com epopeias. Em 2004 defendi uma tese de doutorado sobre poemas épicos escritos por mulheres. A partir dessa investigação, uma vez que eu estava buscando descobrir mulheres que escreveram poemas épicos, acabei por passar pela tradição épica, que sempre foi masculina. Levei tempo então lendo epopeias. Enquanto fazia o doutorado, tive contacto com a literatura cabo-verdiana através da professora doutora Simone Caputo Gomes, que me apresentou todo o universo da literatura cabo-verdiana (foram dois cursos que eu fiz com ela). Mas como ela sabia que eu estudava epopeias, ela disse-me que também Cabo Verde tem um poeta épico. E me apresentou na época “Pão e Fonema” e “Árvores e Tambor”. Quando li esses livros, fiquei encantada. Mas como estava muito direccionada com a pesquisa sobre epopeia de autoria feminina, deixei Corsino Fortes guardado. E disse: “um dia vou voltar a esses poemas!”. O tempo passou, o meu envolvimento com a epopeia é maior. Sou autora do primeiro volume da História da Epopeia Brasileira, junto com Anazildo Vasconcelos da Silva, que foi meu orientador e que é o teórico responsável pelo resgate desse género (nós já estamos no segundo volume). Mas eu decidi fazer um pós- doutoramento. Foi quando me lembrei e disse que era então hora de voltar aos textos de Corsino Fortes. Apresentei um projecto numa instituição de pesquisa de S. Paulo – a FAPESP – e procurei a Simone Caputo, na USP, e hoje estou como pós-doutorando, vinculada à USP, com supervisão da Simone Caputo Gomes, para pesquisar a trilogia “A Cabeça Calva de Deus” e o meu objectivo com esta pesquisa é não só estudar a poesia em si, mas também os aspectos relacionados com a Cultura e, a partir da teoria da epopeia, mostrar que essa obra é para Cabo Verde o que foi e é “Os Lusíadas” para Portugal, o que foi e é o “Canto General” para o Chile, “Odisseia”, “Elíada” para a Grécia. O doutor Corsino Fortes fez com essa obra o registo desse país Cabo Verde, que é um verdadeiro legado para o futuro. Porque nele a gente encontra o nascimento dessa independência, dessa liberdade e todas as condições que levaram e levam Cabo Verde a se impor, com todas as limitações que tem em função de coisas que não são controláveis pelas mãos dos homens. Comecei em Junho a minha pesquisa e vim agora a Cabo Verde, conhecer o poeta, o país. Agora, tenho dois a três anos para desenvolver o trabalho.

E como foi o seu encontro com o poeta que é objecto da sua pesquisa?
Na verdade, o doutor Corsino Fortes já é bastante conhecido no Brasil, primeiro porque já lá esteve e segundo porque a doutora Simone Caputo Gomes já nos apresentou a obra do poeta cabo-verdiano. De maneira que já tinha alguma noção do tipo de pessoa que iria encontrar. E como poeta já estava encantada com ele, pois a sua obra é maravilhosa. E como pessoa descobri que é extraordinária pela cultura que tem, pela sua forma gentil e sábia de se relacionar com o mundo, enfim é uma surpresa boa poder me dedicar à sua obra, ao seu país, que tem aspectos muito semelhantes ao Brasil em alguns pontos e outros que são completamente exemplares para nós brasileiros.
- Como reagiu Corsino Fortes ao facto de a sua obra estar a ser objecto de um pós-doutoramento?
Acho que todo o poeta gosta de ter um reconhecimento e estudo crítico da sua obra. Mas acho que o meu estudo tem uma dimensão um pouquinho diferente. Porque estou olhando para a sua poesia como uma obra épica e acho que essa é uma dimensão que ele ainda não havia considerado, embora todo o poeta tenha consciência daquilo que escreve. Mas essa obra, sem exagero nenhum e pela experiência que já tenho, é de facto uma obra que merece um lugar de destaque na literatura cabo-verdiana, pelo que ela representa e pelo que ela divulga do contexto cultural, histórico e místico deste país.

Quantas palestras vai fazer?
Vou fazer uma palestra no IESIG para, tendo em conta que ainda estou no inicio da minha pesquisa, falar um pouco sobre o que é epopeia, sua importância para uma cultura e de que modo “A Cabeça Calva de Deus” está a ser analisada a partir dessa vertente. Porque o poema épico é muitas vezes visto como um poema arcaico, muito complica, mas na verdade é um texto belíssimo, que apenas exige um pouco mais de concentração e de informação. Ou seja, vou tentar tirar essa imagem do épico como algo inalcansável e mostrar qual a importância desse género e porque sobrevive desde Homero até hoje, ainda que tenha passado para transformações enormes.
- Já teve tempo enquanto está aqui para descobrir outros autores cabo-verdianos?
Na época em que fiz o curso sobre epopeia de autoria feminina, tive a oportunidade de fazer análise de contos de Dina Salústio, de textos de Fátima Bettencourt, e conheci outros autores e foi importante até porque na obra de Corsino Fortes muitos são citados. Agora estou aqui, já conheci algumas pessoas, já tenho algumas leituras … Integrar tudo que faz parte da cultura cabo-verdiana vai levar tempo.
- Estando aqui, consegue ver o Cabo Verde de que fala Corsino Fortes na sua obra?
Com certeza. Até porque existe uma semelhança muito grande em certos aspectos com a cultura brasileira. Quer dizer, o canto do Corsino Fortes é um canto de chamamento. Chamamento à consciência de que ser cabo-verdiano é ser sobretudo um forte. E no Brasil temos a obra “Os Sertões”, tendo como figura principal o sertanejo, que é um homem que sobrevive em meio à seca, que luta bastante para sobreviver, que é um forte. É por isso possível traçar um paralelo com o cabo-verdiano, porque o cabo-verdiano é um forte pela sua capacidade de ir além das limitações e construir uma identidade cada vez mais sólida. Mas há uma diferença na perspectiva, porque aqui, além dessa força, existe também uma certa doçura na forma de ser forte. E isso está bem traduzido na obra de Corsino Fortes. O cabo-verdiano é forte, mas consegue ter a morabeza, a música, o ritmo … Isso é uma lição de sabedoria. Há dias, em tom de brincadeira disse ao Dr. Corsino Fortes que o meu estudo vai causar um problema diplomático entre Cabo Verde

A Poetry Traslation Center de Londres, organização que se encarrega de traduzir e divulgar a obra de poetas contemporâneos de África, Ásia e América Latina, verteu já para o inglês onze poemas da trilogia "A cabeça calva de Deus".
Quatro desses poemas integram uma brochura bilingue publicada em Inglaterra, Austrália, Canadá e EUA. São eles “Konde palmanhã manchê”, “Meio dia”, “Portais do Mar Alto” e “A cesariana dos três continentes”.
Em Julho passado, a Poetry Traslation Center convidou pela segunda vez Corsino Fortes para um encontro entre autores, académicos e linguistas, em Londres.
O conceituado escritor cabo-verdiano assistiu a várias actividades, dentre elas sessões de leituras em King Place e Witchepel Gallery, assim como o Festival de Poesia de Ledbury.
No final de Agosto, o autor de Pão & Fonema, seu título mais conhecido, autorizou para a revista Transition, da Universidade de Harvard (EUA) a publicação do seu poema “Recado de Umbertona”. Além disso, “A cabeça calva de Deus” é uma das obras a publicar no ano 2010 pelo Projecto Editorial Banda Hispânica/Banda Lusófona, sedeado na cidade brasileira de Fortaleza.
A obra poética de Corsino Fortes é também alvo neste momento de um pós-doutoramento da professora brasileira Christina Ramalho, da Universidade de São Paulo. Hoje, 24, às 18h30, no Centro Cultural Brasil-Cabo Verde ela profere uma palestra sobre a presença de Corsino Fortes “no rol dos autores épicos” contemporâneos.
O “carácter identitário revelador” da referida obra sustenta a investigação de Cristina Ramalho, outra prova da actualidade e crescente valorização do autor cabo-verdiano no contexto literário internacional.




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