Turismo em Cabo Verde
Encontros Internacionais De Turismo em Cabo Verde realizado pela Unotur
- III Encontro Internacional Santa Maria Sal 3 a 5 de Outubro de 2007
- II Encontro Internacional Santa Maria - Sal 18 a 20 de Outubro de 2006
- I Encontro Internacional Mindelo - S. Vicente 16 a 18 de Junho de 2005
POTENCIAL TURÍSTICO DE CABO VERDE
Considerado setor estratégico para o desenvolvimento sustentado de Cabo Verde, o turismo conheceu nos últimos anos um incremento assinalável. Os hotéis cabo-verdianos encontram-se já entre os mais ativos de África. Segundo dados governamentais, a taxa de ocupação média a nível nacional é superior a 60 por cento.
Em Santiago, essa taxa ronda os 70 por cento em unidades de quatro estrelas e 35 por cento em termos de unidades de categoria inferior.
Em São Vicente, segunda ilha do arquipélago em termos de importância econômica, essa taxa situa-se nos 50 por cento.
Na Ilha do Sal, principal pólo turístico de Cabo Verde, a taxa de ocupação ronda os 60 por cento variando como em Santiago entre uma maior ocupação em hotéis de "luxo" e as unidades menores.
No resto das ilhas, a ocupação média baixa para os 35 por cento. Apesar da aposta no turismo como um dos eixos de viabilização da economia cabo-verdiana ser bastante recente (década de 90), a oferta hoteleira já é bastante razoável sendo a Ilha do Sal aquela que devido à sua vocação turística e ao aeroporto internacional, possui a maior capacidade de alojamento.
Os estabelecimentos distribuem-se em todo o país por hotéis, apartamentos, residenciais e pensões, sendo estes últimos os que mais se encontram em concelhos onde o setor começa a dar os seus principais passos.
Para quem vai a Cabo Verde para gozar as suas merecidas férias ou mesmo em negócios, a oferta em nível de preços é igualmente muito variável e abordável para qualquer bolsa.
No entanto, a oferta turística não se esgota nas unidades hoteleiras, multiplicando-se pelas diversos componentes do setor. Esta dinâmica reflete-se nas várias agências de viagens e operadores, nas empresas de rent-a-car, na oferta de desportos náuticos, na animação noturna virada para a promoção da cultura cabo-verdiana, nos centros de produção e de artesanato, nas discotecas, bares, etc.
O desenvolvimento recente deste setor não se resume unicamente ao aumento da capacidade da oferta nacional. O aproveitamento das condições naturais do arquipélago, a sua situação geo-estratégica e a características do povo crioulo têm uma repercussão nos indicadores econômicos. Mas, ao contrário do que se possa pensar, Cabo Verde não é apenas praia e sol. O visitante que chega ao arquipélago poderá sair de umas águas límpidas e mornas para logo, em seguida, escalar uma montanha, percorrer percursos pedestres ou ainda passear deliciando-se com a diversidade da cultura crioula.
Insularidade, localização geográfica, amenidade do clima, recursos naturais virgens, contrastes paisagistas e estabilidade social são fatores que fazem de Cabo Verde um destino turístico por excelência.
Com três grupos de ilhas claramente identificadas (praia, montanha e praia e montanha), Cabo Verde é um destino essencialmente de descanso devido a tranqüilidade dos seus lugares e do seu próprio povo. No entanto o produto de praia e mar é, sem dúvida, o produto mais conhecido, não fosse este país um arquipélago.
Com praias de areia branca e águas tépidas e transparentes, as ilhas orientais, Sal, Boavista e Maio, oferecem as suas longas costas para todo o tipo de atividade cujo o fator comum é o mar. O denominado turismo de circuitos encontra caminho em muitas ilhas. Entre uma praia e a montanha, passando por vales verdes ou áridos de uma beleza própria, o visitante tem a sua disposição um naipe alargado de trajetos, que, pela a sua diversidade, garantem um produto de muita qualidade.
Ilhas como S.Nicolau, S.Vicente e Santiago são recomendadas pelos contrastes paisagísticos que oferecem.
Santo Antão, Fogo e Brava, ilhas montanhosas, despertaram também o interesse dos turistas amantes de escaladas, percursos pedestres ou mesmo a cavalo. É o turismo, ecológico, da natureza ganhando terreno num país ainda virgem e onde o "culto" de ecologia é tão natural como o ar sem poluição que se respira em todo o arquipélago.
A música, principal embaixadora de Cabo Verde, além fronteiras, também é outro dos aspectos que atrai muitos turistas a Cabo Verde sobretudo nos festivais de verão que aparecem um pouco por todas as ilhas, tais como o Festival da Baía das Gatas em S.Vicente, o festival de Gamboa em Santiago ou ainda o Festival de Santa Maria, no Sal.
O artesanato é outro subproduto muito apreciado, dos produtos de barro à panaria, passando pela pintura e outras manifestações.
Conhecer Cabo Verde é principalmente conhecer os seus hábitos e costumes evidenciados nas festas tradicionais espalhadas por todos os recantos do país. Podemos realçar o Carnaval de Mindelo, que atrai dezenas de turistas anualmente.
Como se pode constatar, o Cabo Verde turístico não se esgota no sol e na praia. Os produtos turísticos que o país oferece multiplicam-se pelas ilhas, sob o manto protetor da estabilidade política e social sempre reinante que por si só já é um produto de qualidade ímpar.
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A 5 de Julho de 1975, Cabo Verde ascendia à independência nacional, depois de um duro e longo combate de libertação, que os limites geográficos impuseram acontecer fora do seu território.
Sabe-se que o caminho do futuro é, necessariamente, interminável. Às gerações que terão o dever e a obrigação de garantir o porvir da Nação não faltará trabalho. O esforço deve ser contínuo e permanente, tantos são os desafios que terão de enfrentar, num país carente de tudo, onde a falta de recursos é crónica.
Porém, ao olharmos para trás, e podemos fazê-lo orgulhosamente, considerando o ponto de partida, a largada, só podemos acreditar que seremos capazes de enfrentar e vencer todas as dificuldades, não fosse o cabo-verdiano um povo vencedor, porque temperado a ultrapassar todas as agruras que a História lhe impôs. E não foram poucas, considerando a longa duração e a realidade!
Muitos se insurgem contra o passado desconhecendo que esse mesmo passado nos cerca a cada passo. Ele se torna presente no quotidiano, sem que disso se dê conta. A verdade é que só se pode avaliar, crítica e convenientemente, o percurso andado, quem for capaz de olhar para trás.
O que Cabo Verde é hoje não é obra de feliz acaso. É fruto de muito trabalho, dedicação, esforço e perseverança de quem acreditou ser possível a utopia/aventura da independência em 1975, porque partimos do zero e não tínhamos outro recurso que não fosse o indómito povo das nossas ilhas, sofredor mas esperançoso de que futuro seria diferente. E está sendo, tanto porque o seu povo sente e vê que a independência valeu a pena! Talvez, aos olhos dos mais novos, metade da população actual tem menos de 20 de idade, se fale dos muitos problemas que ainda persistem em muitas áreas
No entanto, não foram poucos os avanços conseguidos nos últimos 35 anos da nossa existência como Nação independente. Há apenas 60 anos, 1/3 da população do arquipélago morria à fome. Há menos de 40 anos, dois terços da nossa população era analfabeta; as escolas eram para uma pequena elite; tínhamos à volta de 6 médicos; a esperança média de vida era de 45 anos; a previdência social era inexistente e o PIB per capita era US 150 dólares.
São conquistas da independência, que não mais se morresse à fome; que o analfabetismo seja hoje residual no país; que a escolarização bruta seja a uma taxa de 115%; que a esperança de vida tenha alcançado os 75 anos e a mortalidade infantil tenha diminuído drasticamente; a previdência social abranje, hoje, mais de 30% da população e existam perto de 600 médicos, enquanto multiplicamos o PIB per capita por mais de 15, passando, por isso mesmo, de país menos avançado para um de rendimento médio.
Por isso se diz, hoje, com orgulho, que Cabo Verde é uma Nação vencedora, sem triunfalismo, cientes de que muito caminho temos ainda pela frente, e certos de que, em democracia, sistema político abraçado pelos cabo-verdianos, quanto mais se avança, com a formação, educação, qualificação, quanto mais se afasta da ignorância e da miséria, serão cada vez maiores as exigências dos cidadãos, que devem ter bem presente, no entanto, os limites da capacidade real do país para responder às legítimas aspirações do seu povo.
Cabo Verde mantém-se farol na luta pela dignidade de todos os cabo-verdianos, dentro e fora do território nacional, no abraço a povos amigos de vários quadrantes, que se mantêm suporte em ajudas e apoios para o seu desenvolvimento. A garantia é que, como sempre, saberemos merecer a confiança dos nossos parceiros, dando o devido caminho ao que deles recebemos, apenas em benefício do bem-estar da população.
Sendo o seu povo a riqueza desta Nação, lutemos, pois, para que cada cidadão possa alcançar o seu máximo de potencialidade no espírito do Bem Nacional.