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Língua

 

A língua oficial de Cabo Verde é  o português. Porém,  a comunicação oral entre os habitantes das várias ilhas faz-se  em caboverdiano (crioulo). Pólo fulcral de união de todos os caboverdianos, este código é a resultante do cruzamento do português com as línguas das costas da Guiné. O caboverdiano foi desde cedo uma língua franca sendo que, desde o século XVI se expandiu para a costa africana onde se comerciavam vários produtos. No quadro colonial, onde supostamente o português deveria ter sido a língua veicular, paradoxalmente, o crioulo foi utilizado como língua de ensino (catequização de escravos), pelas próprias instituições religiosas portuguesas. De onde se conclui da sua importância, desde muito cedo,  nas nossas ilhas. Cabo Verde, inserido na comunidade de língua portuguesa, obviamente fez uma opção clara de união e de estreitamento de relações entre falantes do mesmo código e de afectos.

 

Português

Krioulo (Santiago)

Crioulo (São Vicente)

 Sim

 Sin

Sin

 Não

 Nau

Nau

 Talvez

 Talves

Talves

 Por favor

 Pur favor

D'favor

 Com Licença

 Kon Lisensa

kolsensa

 Desculpe

 Disculpam

Dsculpam

 Obrigada

 Obrigadu

Brigadu

 De nada

 Es é ka nada

Es ne nada

 Falas Português (Inglês, Francês...)?

 Bu ta papia Português (Inglês, Francês...)?

Bo ta falá Português (Inglês, Francês...)?

 Fale devagar, por favor

 Pur favor, papia divagar

Fala d'vagar, d'favor

 Eu não entendo

 N ka ta konprende

Un ka intende

 Eu não sei

 N ka sabi

N ka sabe

 Repita, se faz favor

 Torna fla, pur favor

Fala ot vez, d'favor

 O que queres?

 Kuzé ki bu kre?

Cze ke bo kre?

 Quanto custa?

 E kantu?

Ê tonté ?

 Vem cá.

 Ben li.

Ben li

 Espere um minuto

 Spera un momentu

Esperá um minut

Como te chamas?

Mó ki bu tchoma?

Mané ke bo nome?

Meu nome é...

Nha nomi ê....

Nha nome ê...

 Porque? Quando?

 Pamódi? Kuandu?

Purque? Kondé?

 Quem? O que?

 Ken? Kuzé?

Ken? O ke?

 Está bem / Não está bem

 Sta dretu / Ka sta dretu

Ta dret / Ka ta dret

 Muito / Pouco

 Txeu / Poku

Tcheu / Pok

 Mais / Menos

 Mas / Menus

Mas / Mens

 Agora

 Gosi li

Grinhasin

 Ouve / Olha

 Obi li / Djobe li

Uvi li / Oiá

 Pode ajudar-me?

 Bu pode djuda-m?

Bo pode jdame

 Quer?

 Bu kre ?

Bo kre?

Não quero

N ka kre

N ka kre

 Eu não sei

 N ka sabi

N ka sabê

Onde é?

Ê na undi?

Ondê?

Como estás?

Modi ki bu sta?

Ke Mane bo stâ?

Crioulo - Língua Materna cabo-verdiana

O crioulo cabo-verdiano

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A 5 de Julho de 1975, Cabo Verde ascendia à independência nacional, depois de um duro e longo combate de libertação, que os limites geográficos impuseram acontecer fora do seu território. Sabe-se que o caminho do futuro é, necessariamente, interminável. Às gerações que terão o dever e a obrigação de garantir o porvir da Nação não faltará trabalho. O esforço deve ser contínuo e permanente, tantos são os desafios que terão de enfrentar, num país carente de tudo, onde a falta de recursos é crónica. Porém, ao olharmos para trás, e podemos fazê-lo orgulhosamente, considerando o ponto de partida, a largada, só podemos acreditar que seremos capazes de enfrentar e vencer todas as dificuldades, não fosse o cabo-verdiano um povo vencedor, porque temperado a ultrapassar todas as agruras que a História lhe impôs. E não foram poucas, considerando a longa duração e a realidade! Muitos se insurgem contra o passado desconhecendo que esse mesmo passado nos cerca a cada passo. Ele se torna presente no quotidiano, sem que disso se dê conta. A verdade é que só se pode avaliar, crítica e convenientemente, o percurso andado, quem for capaz de olhar para trás. O que Cabo Verde é hoje não é obra de feliz acaso. É fruto de muito trabalho, dedicação, esforço e perseverança de quem acreditou ser possível a utopia/aventura da independência em 1975, porque partimos do zero e não tínhamos outro recurso que não fosse o indómito povo das nossas ilhas, sofredor mas esperançoso de que futuro seria diferente. E está sendo, tanto porque o seu povo sente e vê que a independência valeu a pena! Talvez, aos olhos dos mais novos, metade da população actual tem menos de 20 de idade, se fale dos muitos problemas que ainda persistem em muitas áreas No entanto, não foram poucos os avanços conseguidos nos últimos 35 anos da nossa existência como Nação independente. Há apenas 60 anos, 1/3 da população do arquipélago morria à fome. Há menos de 40 anos, dois terços da nossa população era analfabeta; as escolas eram para uma pequena elite; tínhamos à volta de 6 médicos; a esperança média de vida era de 45 anos; a previdência social era inexistente e o PIB per capita era US 150 dólares. São conquistas da independência, que não mais se morresse à fome; que o analfabetismo seja hoje residual no país; que a escolarização bruta seja a uma taxa de 115%; que a esperança de vida tenha alcançado os 75 anos e a mortalidade infantil tenha diminuído drasticamente; a previdência social abranje, hoje, mais de 30% da população e existam perto de 600 médicos, enquanto multiplicamos o PIB per capita por mais de 15, passando, por isso mesmo, de país menos avançado para um de rendimento médio. Por isso se diz, hoje, com orgulho, que Cabo Verde é uma Nação vencedora, sem triunfalismo, cientes de que muito caminho temos ainda pela frente, e certos de que, em democracia, sistema político abraçado pelos cabo-verdianos, quanto mais se avança, com a formação, educação, qualificação, quanto mais se afasta da ignorância e da miséria, serão cada vez maiores as exigências dos cidadãos, que devem ter bem presente, no entanto, os limites da capacidade real do país para responder às legítimas aspirações do seu povo. Cabo Verde mantém-se farol na luta pela dignidade de todos os cabo-verdianos, dentro e fora do território nacional, no abraço a povos amigos de vários quadrantes, que se mantêm suporte em ajudas e apoios para o seu desenvolvimento. A garantia é que, como sempre, saberemos merecer a confiança dos nossos parceiros, dando o devido caminho ao que deles recebemos, apenas em benefício do bem-estar da população. Sendo o seu povo a riqueza desta Nação, lutemos, pois, para que cada cidadão possa alcançar o seu máximo de potencialidade no espírito do Bem Nacional.

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